Este é o primeiro de uma série de informes epidemiológicos sobre a saúde da juventude (15 a 29 anos), elaborado pela Agenda Jovem da Cooperação Social da Fiocruz e parceiros, com base em dados do SIM e do SINAN/Ministério da Saúde e divulgado em agosto de 2025. O foco são as violências e acidentes, principais causas de morte e adoecimento da população jovem no Brasil.
Entre os principais achados:
65% das mortes de jovens decorrem de causas externas (violências e acidentes), contra apenas 10% no conjunto da população. O risco é maior entre 20 e 24 anos, com taxas superiores a 218/100 mil hab.
Desigualdades marcantes: jovens negros representam 73% das mortes por causas externas; a taxa de mortalidade entre negros e indígenas é quase o dobro da observada para brancos e amarelos.
Diferenças de gênero: homens jovens morrem 8 vezes mais que mulheres, sobretudo por homicídios e acidentes de motocicleta; já as mulheres são mais atingidas pelas violências notificadas no SUS, em especial violência física, sexual e psicológica, com alta incidência entre 15 e 19 anos.
Contexto regional: Norte e Nordeste concentram os maiores riscos, com destaque para Amapá e Bahia (taxas acima de 400/100 mil entre jovens de 20 a 24 anos).
Morbidade: em 2022, mais de um terço (36%) dos casos de violência notificados no SUS vitimaram jovens. As taxas de incidência chegam a ser 2,3 vezes maiores que na população adulta, com prevalência de violência física, seguida de psicológica e sexual.
Outros recortes: pessoas com deficiência representam 20,5% das vítimas notificadas; casos de violência contra jovens têm como principais motivações sexismo (23,7%) e conflitos geracionais (18,2%).
O informe conclui que a juventude é o grupo mais exposto à violência letal e não letal no país, evidenciando a urgência de políticas públicas integradas que fortaleçam a rede de proteção, o direito à vida e a equidade racial e de gênero.