Pesquisa do Núcleo Ypykuéra/Opel mostra resistência de eleitores de Lula à renovação política

Uma nova pesquisa realizada pelo Núcleo Ypykuéra em parceria com o Observatório Político e Eleitoral (Opel), núcleo ligado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e à Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), apresenta um panorama atual do campo das esquerdas no Brasil e uma avaliação de eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o atual governo e o cenário político nacional. O estudo, baseado em uma pesquisa qualitativa com pessoas que votaram em Lula nas eleições de 2022, investiga valores, percepções e expectativas desse eleitorado para o ciclo eleitoral de 2026.
Realizado por meio de grupos focais presenciais em dez capitais brasileiras – Belém, Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Goiânia, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo -, o levantamento também identifica diferenças entre os eleitores que votaram em Lula nos dois turnos de 2022 e aqueles que escolheram o candidato apenas no segundo turno. A pesquisa do Ypykuéra ouviu 198 pessoas — 101 mulheres e 97 homens. Foram analisadas 2.973 menções codificadas durante os grupos focais.
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Um dos principais resultados da pesquisa revela no campo progressista um traço recorrente no comportamento do eleitorado brasileiro: a preferência por parlamentares que já ocupam mandato. No Brasil a reeleição de parlamentares alcança taxas próximas a 60%.
Entre os eleitores progressistas o resultado sugere que o desejo de renovação convive com uma preferência pelo conhecido e com uma postura de cautela diante da escolha de novos candidatos. Para 23,6% dos pesquisados, as vantagens financeiras e de marketing de quem já está no cargo pesam a favor dos candidatos na hora da escolha de nomes. Ao mesmo tempo, 21% afirmam preferir candidatos com mandatos porque reconhecem e confiam no trabalho que realizam.
A pesquisa mostra, assim, que a baixa renovação política não é percebida apenas como resultado da força dos atuais ocupantes dos cargos, mas também de uma combinação entre confiança na experiência, pragmatismo eleitoral e desmobilização de parte do eleitorado. O pragmatismo aparece com força: 15,4% das respostas reúnem argumentos como o medo de arriscar em algo novo, a preferência por votar em quem tem chances de ganhar e a preocupação de “não jogar o voto fora”. Já 27,2% das menções atribuem a baixa renovação a fatores negativos relacionados ao próprio comportamento do eleitor, como comodismo ou preguiça de pesquisar, falta de conhecimento ou informação e desinteresse. Confira o Relatório Técnico Completo da pesquisa clicando aqui 

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