Brasil permanece no radar da má nutrição: O Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo (SOFI) 2025

O documento publicado pelo Pacto contra a Fome em agosto de 2025 aprofunda a leitura dos dados do relatório global O Estado da Segurança Alimentar e da Nutrição no Mundo (SOFI 2025), com foco no contexto brasileiro. A análise destaca avanços recentes na redução da insegurança alimentar, mas evidencia a persistência da má nutrição em suas múltiplas formas: desnutrição, sobrepeso e obesidade.

Entre os achados principais:

  • Obesidade em adultos: 28,1% da população brasileira com 18 anos ou mais vive com obesidade, tendência em crescimento desde 2000, acima da média mundial.
  • Infância vulnerável: aumento de 34% no percentual de crianças menores de 5 anos acima do peso na última década, em velocidade quase seis vezes superior à média global. Já a baixa estatura infantil voltou a crescer, alcançando 8,9% em 2024.
  • Ambiente alimentar: consumo precoce e excessivo de ultraprocessados (80% das crianças menores de 2 anos já os consumiram) eleva riscos de doenças crônicas e pressiona o SUS, que gastou R$ 225,7 milhões entre 2013 e 2022 com obesidade infantil.
  • Acesso desigual: em 2024, 23,7% dos brasileiros — cerca de 50 milhões de pessoas — não conseguiram custear uma dieta saudável, embora o índice seja inferior ao de 2021 (30%).
  • Fatores estruturais: inflação alimentar, desigualdades sociais, mudanças climáticas e fragilidades institucionais seguem comprometendo a segurança alimentar.

O estudo destaca políticas públicas decisivas para a saída do Brasil do Mapa da Fome — como o Bolsa Família, o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o PNAE —, mas alerta para desafios de sustentabilidade e continuidade. Reforça a necessidade de institucionalizar o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan), ampliar políticas intersetoriais e fortalecer a resiliência climática dos sistemas alimentares.

Acessar o documento completo aqui.

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