As mudanças climáticas afetam de forma desproporcional populações que vivem em assentamentos precarizados e invisibilizados no Brasil, agravando desigualdades produzidas e reproduzidas por uma lógica sistêmica histórica. Essa é a conclusão do Panorama Climático das Favelas e Comunidades Invisibilizadas, realizado pela Teto Brasil, em parceria com o Centro de Estudos das Cidades do Insper.
O estudo abrangeu todas as regiões do país, envolvendo 119 comunidades em 51 municípios de 20 estados. Os territórios pesquisados se encontram em áreas de risco (margens de rios, encostas e regiões alagadiças), o que amplifica os impactos dos eventos climáticos extremos. Embora contribuam pouco para as emissões, essas populações arcam com os custos mais altos da crise climática.
A pesquisa também mapeou os arranjos de resiliência próprios, criados pelas próprias comunidades, que oferecem pistas para caminhos de transformação. São respostas que surgem das crises nos territórios, podendo servir de faróis para políticas inclusivas e eficazes.
Entre os principais indicadores da pesquisa, destacam-se:
Em 86% das comunidades pesquisadas, eventos extremos ocorrem ao menos uma vez por ano.
Mais de 60% das favelas não possuem obras de contenção para desastres ambientais.
Infraestrutura urbana: apenas 47% das comunidades possuem iluminação pública e mais de 60% depende de ligações clandestinas de água, poços ou cisternas.
Riscos climáticos: 60% das pessoas que vivem nas comunidades consideram estar em perigo no caso de tempestades e chuvas
Alta percepção, pelas comunidades, de ondas de calor (71,4%), tempestades (56,3%), enchentes (53,8%) e falta de água (49,6%).
A adaptação aos efeitos do clima depende predominantemente de esforços internos, pois falta apoio governamental ou recursos financeiros externos.