Produzido pela ONU-Mulheres, o relatório Justiça Climática Feminista: Um marco para ação apresenta uma proposta conceitual e prática para enfrentar a crise climática a partir de uma perspectiva de gênero. O documento integra a série “Progresso das Mulheres no Mundo” e busca orientar políticas públicas que promovam simultaneamente justiça ambiental e igualdade de gênero.
A publicação denuncia o agravamento das desigualdades de gênero frente à intensificação da emergência climática — com impactos desproporcionais sobre mulheres, meninas e pessoas gênero-diversas — e propõe a transformação estrutural dos sistemas econômicos, políticos e produtivos. Como exemplo, foca na reforma do sistema alimentar global, tanto como setor emissor quanto espaço de reprodução de desigualdades.
O marco de justiça climática feminista é estruturado em quatro dimensões interdependentes:
- Reconhecimento dos direitos, saberes e trabalhos de mulheres e grupos marginalizados;
- Redistribuição de recursos, terra, poder e investimentos para garantir equidade nas transições verdes;
- Representação efetiva de mulheres na formulação e monitoramento de políticas climáticas;
- Reparação histórica e financeira, com responsabilização do Norte Global e financiamento adequado para perdas e danos.
Além disso, o relatório alerta para os obstáculos atuais à responsabilização — como o avanço do autoritarismo, o domínio das soluções de mercado e a fragmentação social — e defende o fortalecimento da democracia, do multilateralismo e do espaço cívico como caminhos para a ação climática justa e feminista.

